| Mestre Lagoa Henriques | ||
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"O grande problema do nosso tempo é conciliar a técnica com a ética, a estética e a poética" |
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BIOGRAFIA |
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Apontamentos para uma biografia:
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1923 |
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António Augusto Lagoa Henriques, filho de Delfim Augusto Henriques e de Palmira C. de Almeida Lagoa Henriques, nasceu em Lisboa em 27 de Dezembro de 1923 e vivia no Bairro dos Açores, na Rua da Ilha Terceira. Devido ao falecimento da sua avó, o seu pai mudou-se para casa do avô, alfaiate, na Rua dos Douradores, nº 21, 2ºDto em Lisboa. «O meu pai trabalhava no comércio e também era actor amador, representou em todas as sociedades dramáticas de Lisboa. O meu avô era alfaiate, a minha mãe professora primária, ainda frequentou o atelier de Columbano – sabia que a Sarah Afonso foi a última discípula do Columbano? - O meu avô materno era relojoeiro e inventou um relógio.» («Lagoa Henriques – O poeta das formas transfiguradas» entrevista com Artur Queiroz, in Autores, Revista da Sociedade Portuguesa de Autores, nº3, Julho – Setembro 2004.)
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1945 |
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Foi com o aconselhamento e incentivo do professor Agostinho da Silva que Lagoa Henriques iniciou, em 1945, o Curso Especial de Escultura na Escola de Belas-Artes de Lisboa. «Quando acabei o liceu – a minha ideia era ir para Letras ou Direito – fiz aptidão à Universidade mas chumbei. Resolvi preparar-me melhor em História e Filosofia e o professor Agostinho da Silva dava aulas particulares, na sua casa junto ao Jardim Zoológico. Eu sabia da existência dele por uns cadernos que editava à sua custa, obras de difusão cultural. Também editava pequenas biografias. Tinha sido expulso do ensino oficial e ganhava a vida com aulas particulares e essas edições. Um dia ele perguntou-me: o que lhe interessa para além de História e Filosofia? E eu disse-lhe que gostava muito de desenhar. Pediu-me para lhe levar os meus desenhos e quando os viu disse logo: você e eu estamos enganados, a sua vocação é a escultura. Ele não me fechou as portas das Letras, até me disse que tinha um entendimento para uma cultura enraizada na palavra, mas devia seguir a Escultura. E assim fiz.» («Lagoa Henriques – O poeta das formas transfiguradas» entrevista com Artur Queiroz, idem.)
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1948 |
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Em Julho de 1948 pediu a transferência para a Escola de Belas-Artes do Porto. Foi nesta escola que conheceu o escultor Barata-Feyo, um dos professores que se viria a tornar numa das suas principais referências, com as inevitáveis consequências para a sua formação.
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1954 |
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Concluiu o Curso Superior de Escultura em 1954 na Escola Superior de Belas-Artes do Porto com a apresentação de um trabalho de pleno relevo classificado com a nota máxima de 20 valores. Durante o curso e enquanto bolseiro foi discípulo dos escultores Leopoldo de Almeida e Barata-Feyo, e do pintor Dórdio Gomes.
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1958 |
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Foi convidado pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto para o lugar de professor assistente de Escultura, lugar que ocupará apenas no ano seguinte.
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1959 |
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Tomou posse em 8 de Janeiro e a 23 do mesmo mês já se encontra a desempenhar as funções de 2º assistente no 6º Grupo na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
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1960-1963 |
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Em 1960 foi-lhe concedida uma bolsa pelo Instituto de Alta Cultura, partindo de imediato para a Itália. Aqui ficará três anos, grande parte dos quais na cidade de Milão a trabalhar sob a orientação do escultor Marino Marini. Na Itália, onde fui discípulo do mestre Marino Marini, visitou as escolas de Florença, Siena, Pádua e Roma. Em Roma esteve inscrito numa Escola de Escultura em Pedra. Com o propósito de aprofundar a sua formação, fez várias viagens dentro e fora de Itália; durante este período de bolseiro, fez deslocações ao Egipto, à Grécia, à Inglaterra, à França, à Bélgica e à Holanda, sempre procurando um contacto directo com a obra artística de todos os tempos.
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1963 |
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De regresso a Portugal desempenhou as funções de professor efectivo de Desenho na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Foi nomeado professor do 7º Grupo na ESBAP em 24 de Agosto. Tomou posse em 3 de Outubro de 1963.
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1966 |
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Depois de ter sido aceite através de concurso público para professor na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, o Conselho Escolar da Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 24 de Janeiro, por unanimidade, não viu inconveniente na sua transferência. Em consequência deste concurso foi transferido em 26 de Janeiro, e tomou posse na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa do cargo de professor no 7º Grupo no dia 14 de Fevereiro. No entanto final do ano encontrava-se a lecionar no 6º Grupo. Lagoa Henriques na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, iniciou uma acção pedagógica de destaque no ensino do Desenho com consequências muito positivas no ensino artístico em Portugal. Durante a Páscoa faz uma viagem a Marrocos e no Verão esteve em Itália e França. Entre 6 e 13 de Setembro de 1966 participa no VI Colóquio Internacional de Estudos Luso Brasileiros em Cambridge – Boston. Residia na Rua dos Douradores, nº 21, 2º Esq. em Lisboa.
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Inícios anos 70 |
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O incêndio no atelier «… Ainda tem presente o dia da tragédia? Claro que tenho. O meu atelier era nos pavilhões que serviram à Exposição do Mundo Português, junto ao Tejo. Estavam lá outros artistas, o Raúl Xavier, o Martins Correia e o Joaquim Correia. O meu atelier era virado para o Tejo. Um dia, ao fim da tarde, apanhei o comboio no Cais do Sodré, desci na estação de Belém e rumei ao atelier. Quando me aproximei, fiquei sobressaltado porque vi logo o fumo e as chamas. Ao chegar aos pavilhões vieram ao meu encontro alguns amigos, a Isabel da Nóbrega, o José Saramago, o Professor Carlos Amado e outros. Disseram-me que o meu atelier estava em chamas. Fiquei ali a ver a destruição do trabalho de uma vida. Foi tremendo …» … «… Um escultor precisa de um espaço amplo. Ficou sem trabalhar muito tempo? Felizmente esse problema não se colocou. O presidente da Câmara de Lisboa, engenheiro Santos e Castro, foi logo ao local, contactou os artistas e distribuiu-nos por novos espaços. Eu vim para este atelier da Avenida da Índia, uns armazéns que pertencem à Câmara de Lisboa e comecei de imediato a trabalhar…» («Lagoa Henriques – O poeta das formas transfiguradas» entrevista com Artur Queiroz, idem.)
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Exposição dos desenhos salvos do incêndio na Sociedade Nacional de Belas-Artes.
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1974 |
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Criou a disciplina de Comunicação Visual, quando da reestruturação dos cursos da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.
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1981 |
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Tomou posse do cargo de Presidente do Conselho Cientifico e Pedagógico da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 6 de Junho de 1981. Exposição no Museu de Arte Sacra do Funchal entre Março e Abril.
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1982 |
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Em 17 de Junho de 1982 foi requisitado pelo Instituto Português do Património Cultural para exercer funções nessa instituição. O Conselho Cientifico da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa autoriza a sua requisição em 28 de Junho e em 28 de Outubro Lagoa Henriques aceita a requisição para o Instituto Português do Património Cultural.
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1983 |
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Tomou posse no Instituto Português do Património Cultural para no dia 9 de Fevereiro, para onde foi desempenhar as funções de coordenador de um projecto de divulgação do património cultural.
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1984 |
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Em 9 de Fevereiro de 1984, cessa funções no Instituto Português do Património Cultural e apresenta-se ao serviço na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Foi membro do Júri do Concurso para uma Medalha de Homenagem a Almada Negreiros.
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1986 |
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Solicitou a sua aposentação no dia 14 de Julho e no dia 12 de Agosto foi concedido um parecer favorável à sua aposentação.
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1987 |
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Obteve a sua aposentação, iniciando a partir daí um conjunto vasto de obra. 27 de Julho, Exposição «Risco Inadiável» e em Novembro Exposição de Homenagem.
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1988 |
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Foi homenageado em 10 de Junho de 1988 com a Grã-Cruz de Honra e Mérito, por ocasião das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
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Anos 90 |
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Coordenou a disciplina de Desenho na Escola Superior de Conservação e Restauro de Lisboa.
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2000 |
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Foi contratado, como Professor Catedrático Convidado em regime de acumulação, no dia 2 de Março, para exercer funções docentes na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
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2004 |
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«…Agora o meu quotidiano é o desenho – estou sempre a desenhar – e a poesia…» («Lagoa Henriques – O poeta das formas transfiguradas» entrevista com Artur Queiroz, idem.)
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2008 |
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Professor Catedrático Jubilado no Instituto das Artes e Ofícios da Universidade Autónoma de Lisboa.
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